quarta-feira, 2 de abril de 2025

O Fardo de Sempre ser o Apoio

 Estou sempre aqui. Sempre a voz que escuta, a mão que segura, a presença constante quando tudo desmorona.
Tentando entender todos os lados, mesmo quando me chamam de insensível, por as vezes, ser direta demais.
Me procuram - não para perguntar como estou, mas posso contar nos dedos as pessoas que o fazem - mas para buscar um apoio, uma emergência, um favor, um desabafo.

E eu? Eu escuto. Ajudo. Sigo "sim".
Sempre.
Não é ingratidão, não é sobre jogar na cara. Eu me acostumei a essa constância de servir, a estar ali quando precisam, a ser o ombro firme enquanto o mundo gira e os outros seguem suas vidas.

Sinto que o limite está chegando.
Mas meu copo está transbordando.
Sempre calma, dificilmente explodo; se preciso chorar, que seja em minha solitude.
Sei me virar, assim como também sei pedir ajuda, pois todos precisam em algum momento,
mas a gota d'água final parece prestes a cair.
Porque estou cansada.
Cansada de ser o refúgio seguro, a conselheira esquecida no rescaldo das batalhas alheias.
Esquecida por mim mesma.
Cansada de segurar tanto sem saber quando, ou se, alguém me segurará.
Cansada de me perguntar se, um dia, alguém realmente notará que meu silêncio grita tanto os pedidos de socorro que acolho.

Essa exaustão não vem da falta de gratidão, mas do peso de sempre ser aquela que entende, que acalma, que se molda às necessidades alheias.
Minha voz se perde, soterrada entre tantas outras, como se minha própria existência fosse penas uma extensão do que posso oferecer.
E talvez, quem é o culpado disso, se não eu mesma?

Hoje, a frustração se mistura com uma revolta silenciosa. 
Chega um momento em que ser sempre a "boa", a "compreensiva", a "mediadora" se torna insuportável. 
E, apesar de toda a minha resiliência, preciso admitir: Estou cansada demais.

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